sábado, 17 de maio de 2008

Eu, agora, p'ra que ouças o passado...

Invento…
Não porque quero,
Porque não quero,
Necessidade!

Vivo de inventar…

Invento que não sei inventar…
E sou eu,
Como me queres,
Como não me queres,
Não quero,
Como não sei!

Invento o viver…
Ignoro a verdade…
Vivo a invenção.

Eu.
Eu.
Ninguém.
Agora.

Na mentira.

(Em surdina, talvez mudo, bafejando-te ao ouvido…)
Não me ouves?
Porque não ouviste?
Não o quis, inventar,
Porque não gritei:

Eu!
Tu!
Minha!
Sempre!

(Acredita em mim,
acredita em nada!
O que ganhámos,
queremos ter ganho,
perdendo, sem perder):

- Na nossa verdade!
(Não consegui inventar...
Que não inventei)!

Eu,

- Quem desistiu?

Não fui!


FIM
(sequelas, sem sequela)
.



Yerka, Jacek

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